Telepatia - Personagens telep?ticos em busca de um roteiro
Personagens telepA?ticos em busca de um roteiro
20031027
e para cada um que morria, todos acompanhavam até um certo ponto onde nós o perdíamos, mas sabíamos que ele havia continuado, nós é que não éramos capazes de acompanhar ele em direção ao nada, mas ainda assim infinito rumo ao,
logo o poder havia se espalhado tanto que a velha sociedade parecia prestes a se desfazer,
mas nunca se desfazia, permanecia como hipocrisia residual, uma mera película de relação, a velha sociedade era a máscara que se mantivera por seu poder estético de hipnose, e apesar de todos se virem, se saberem, se assistirem e gostarem, ou odiarem em público, apesar de todos se compartilharem, sempre sobrava para cada um apenas o mesmo eu mesmo isolado na cápsula, inacessível pois único.
ficaram vagando pela cidade, com o poder se revelando a eles aos poucos, aos poucos eles assistindo aos outros e entendendo como funcionava o labirinto do desejo da cidade. sem memórias se recriaram numa outra cidade sobreposta à primeira, acessível apenas aos
telephs.
alguns
telephs mais entusiastas e digamos até autoritários imaginaram que somente apagando o link com os velhos hábitos de propriedade e ódio, somente zerando tudo na sociedade a nova utopia anarquista iria se realizar do nada.
então resolveram sair por aí apagando os outros num trabalho de conversão compulsória sórdida, transformando as pessoas já instituídas em
tabula rasa, deixando com elas apenas o poder, a ser revelado aos poucos, para que elas começassem o novo mundo de novo.
20031025
uma epidemia de falta de identidade começou a proliferar em vários lugares.
pessoas bem-vestidas começaram a ser encontradas morando nas ruas, sem lembrar de nada.
alguns passavam a morar no próprio carro sem saber pra onde ir.
e tudo isso acontecia sem que ninguem parecesse se dar conta de que algo estava acontecendo.
20031022
eu é que um dia me vi em plena rua, andando de carro e não tinha a menor idéia de quem eu era. zero de mémória. nem meu nome, nem nada. nenhum fato pessoal. com plena consciência da época em que estava, do que estava contecendo no mundo e na minha cidade, mas não sabia quem eu era.
20031019
(ele, que passou a vida trabalhando com a ideia de morte, de passagem, morreu. onde estara ele?)
20031018
cenax
uma casa vazia, uma escuridão intensa em uma rua de subúrbio, um sobrado vazio e com as janelas abertas. uma pessoa passa na frente da câmera. quando ela sai a rua está repleta de silhuetas negras de pessoas se movendo devagar.
cenax+1
um supermercado e os produtos nas prateleiras estão todos pichados ou grafitados ou etiquetados com frases e slogans sem sentido.
entre as muitas pessoas que circulam com carrinhos estão um bando de pessoas com oculos escuros. estas trazem os carrinhos vazios.
20031017
tom cresceu na rua, morava nas ruas fugindo da violência que viveu em casa.
encontrou companheirismo na rua, tinha amigos. graças a entidades filantrópicas das mais diversas que viviam de ajudar os pobres tinha comida e roupa decente. graças a maconha ficou amigo de uns playba dos jardins. uns playba que vinham com uns livros como thoureau, proudhon, taz, e falavam de liberdade. e eu dizia: mas livre de quê? sem dinheiro você continua escravo do desejo, querendo e não podendo. e eles podiam, portas abertas. mas pra mim, pobre, preto, sem chance.
até que eu desenvolvi essa estranha capacidade de entender o que os outros estão querendo. veio do nada, um dia eu olhei e entendi o que estava pensando um coroa que passava com o cachorro no ibirapuera. ele pensava na filha problemas namorado que dormia em casa e a conta de telefone.
naquele momento e daí em diante eu entendi, poderia ser qualquer coisa e aprender qualquer coisa e fazer qualquer coisa, porque eu descobri que eu mesmo não era nada então podia pegar tudo dos outros porque o dos outros era meu também.
20031016
a mente que também é corpo transforma experiência em memória.
intimidante superfície branca da mente de um recém-nascido, uma vasta superfície branca com alguns pontos de memória da gestação, ilhotas no meio de um vasto imenso gigante campo branco latente, ávido por informação vinda de fora.
20031015
na cidade as pessoas encontravam-se em alguns espaços apertados de tempo pra beber pra dançar conversar mas ao final cada um voltava sempre sozinho pra sua casa.
já os
telephs, principalmente os mais novos, viviam em bando eles eram um coletivo dentro de seu próprio tempo e viviam separados do tempo da cidade, numa outra cidade.
20031014
a vida na praia era livre de regras. cada um fazia o que queria. era frequente que as pessoas quisessem fazer as coisas juntos. mas as vezes a comunidade aparentemente se desagregava e as pessoas passavam dias sem se verem, trocando comunicações com pessoas distantes, vivendo em outras cidades através de outras pessoas, em outras não-comunidades, sendo outras coisas, libertando-se de si mesmas.
tentando viver em comunidade as dificuldades são muitas. são muitas as diferenças de ritmo entre as pessoas. de interesses. de hábitos.
como viver sem regras? como fazer com que as pessoas sejam respeitadas, não as leis?
20031008
um animal doméstico investigando a mente de seu dono. breve on line again
Marcadores: link externo
Archives
02/01/2003 - 03/01/2003
03/01/2003 - 04/01/2003
04/01/2003 - 05/01/2003
05/01/2003 - 06/01/2003
06/01/2003 - 07/01/2003
07/01/2003 - 08/01/2003
08/01/2003 - 09/01/2003
09/01/2003 - 10/01/2003
10/01/2003 - 11/01/2003
11/01/2003 - 12/01/2003
12/01/2003 - 01/01/2004
01/01/2004 - 02/01/2004
02/01/2004 - 03/01/2004
03/01/2004 - 04/01/2004
04/01/2004 - 05/01/2004
05/01/2004 - 06/01/2004
06/01/2004 - 07/01/2004
07/01/2004 - 08/01/2004
08/01/2004 - 09/01/2004
09/01/2004 - 10/01/2004
10/01/2004 - 11/01/2004
11/01/2004 - 12/01/2004
01/01/2005 - 02/01/2005
04/01/2005 - 05/01/2005
