Telepatia - Personagens telep?ticos em busca de um roteiro
Personagens telepA?ticos em busca de um roteiro
20031222
As propostas de alguns grupos para criação de um Estado Telepático foram rejeitadas pela maioria das comunidades telepáticas espalhadas pelo mundo.
Após vários dias de intensa comunicação, a maioria dos
telephs considerou o debate encerrado liberando aqueles que propuseram a idéia a fazerem o que quisessem.
Os principais argumentos para rejeição:
1. O conceito de Estado está ligado à centralização do poder, o que sempre leva a distorções em nome da funcionalidade.
2. Um Estado localizado no espaço seria facilmente tentado por anacrônicas idéias Nacionalistas.
3. A criação de um Estado fatalmente descambaria em dogmas ou leis.
4. A revolução deveria ser gradual, irreversível e desterritorializada, para algum dia atingir a todos.
20031221
update: ao ler meu post ela acrescentou que a tigeja que ela recebia no sonho era de vidro, e foi em um vitral que ela reconheceu a cabeça azul. (neste vitral há duas cabeças azuis flutuando, sem corpo, pode ir lá e conferir, fica logo na entrada na ala à esquerda da nave da igreja)
20031220
essa telepatia foi bem real e aconteceu comigo e com minha namorada ontem:
estávamos dormindo abraçados. eu sonhava que estávamos os dois em um campo gramado, um vale.
eu estava com uma tigela de comida chinesa nas mãos (dentro havia uma erva, aquela proibida) e no exato momento em que passei a tigela pra ela, no sonho, ela deu um pulo na cama e acordou. acordei também com o susto dela.
ela acordou porque sonhou que eu passava pra ela uma tigela .... mas na tigela que ela recebeu de mim no sonho havia uma pequena cabeça humana, de pele azul, por isso seu susto e seu despertar.
hoje fomos passear na catedral da sé e em um dos vitrais ela reconheceu a cabeça azul de seu sonho....
detalhe: fomos na catedral, para conhecê-la por dentro, depois de almoçarmos em um restaurante chinês, onde comemos em tigelas.
20031218
«Emancipar-se das bases materiais da verdade invertida, eis no que consiste a auto-emancipacão da nossa época».
Debord
«Para livrar-se dos governos não é necessário lutar contra eles pelas formas exteriores (insignificantes até o ridículo diante dos meios de que dispõem os governos) é preciso únicamente não participar em nada, basta não sustentá-los e então cairão aniquilados. E para não participar em nada dos governos nem sustentá-los é preciso estar livre da fragilidade que arrasta os homens aos laços dos governos que lhes fazem seus escravos ou seus cúmplices».
Tolstoy em Sobre a Revolução
tirei daqui:
http://www.geocities.com/projetoperiferia/
.
20031210
o livro tinha umas 350 páginas. Mas quando começou a ler elas foram diminuindo, sumindo, sumindo, só restaram oito páginas, quatro, duas, uma página sobrou no livro com apenas uma frase no meio da folha em branco:
é preciso se distanciar desta urgência toda.
20031204
o colecionador de sentimentos acabou de acrescentar mais uma peça à sua coleção
(nao gostei desse post mas ele fica ai so pra eu me lembrar de filmar essa ideia)
hoje ao acordar descobri que não sabia nada, parei para escutar o mundo e só ouvi um imenso silêncio. uma paz imensa. minha impressão era de que eu nunca havia sabido nada, como se eu fosse um recém-nascido que já soubesse falar. como se recém-nascido ou recém chegado a um país estranho alguém houvesse injetado a linguagem em mim. acordei e o lugar em que eu estava, um apartamento branco iluminado pela luz da manhã, não fazia sentido pra mim. eu não lembrava como havia ido parar ali, e nem que lugar era aquele. acordei em uma cama confortável, lençóis brancos e ao redor da cama centenas de vidrinhos de remédios vazios, sem rótulo, espalhados pelo chão.
saí para a rua e as pessoas que passavam por toda parte me pareciam irreais, inconsistentes. apesar de sua materialidade física era como se elas não tivessem substância. elas não tinham densidade. era como se fossem se desagregar em átomos e se desfazerem no ar no segundo seguinte ao seu próximo passo.
eu só conseguia perceber a existência real delas pelos seus pensamentos. eles chegavam límpidos até mim vindos através da imensa planície silenciosa em finas linhas de linguagem. e de todas as pessoas que se moviam vinham os mesmos pensamentos, alguns poucos pensamentos repetidos de uma pessoa para outra, com pequenas variações. as mesmas informações espalhadas entre diversos corpos. talvez por acreditarem todos num mesmo deus, o Tempo, viviam angustiadas fugindo dele e refugiando-se em um mundo de informações. e cada uma dessas pessoas se achava única sem perceberem que nadavam todos no mesmo caldo de informações constantemente renovadas no ritmo da chibata midiática, informações iguais para todos.
demorei um tanto para encontrar outros silêncios como o meu em meio a tanto barulho redundante.
20031202
Vez por outra, um ou vários dos recém-telephs desmemoriados se viam em estado de fome e sentiam a necessidade de conseguir comida. Rastreavam então o ambiente em volta tendo como guia sua própria fome, e terminavam por encontrar em muitos dos restaurantes da cidade uma comida de primeira qualidade que seria jogada impiedosamente fora, seguindo as regras do capital. Com esta descoberta rumavam de imediato para lá, os recém-telephs desmemoriados, e lá faziam o banquete, sentados nas mesas e regalavam-se praticamente invisíveis para quem quer que fosse, além do garçom. Naquele tempo ingenuamente eles ainda se contentavam com as sobras.
Será que a humanidade não deu certo mesmo? Quantos milhares de mortos, milhões de mortos são necessários para se construir uma sociedade justa.... onde todos os seus cidadãos, integrantes, unidades, células vivam sem serem massacrados por seus semelhantes.? Sim, porque a questão toda se resume à política e sua filha espúria mais nova e por isso talvez indomada ainda, a economia.
Uma vez pretensamente separados da natureza e de sua selvageria, o ser-humano inicia sua cópia, sua imitação da natureza cometendo ele mesmo a selvageria que vê nos outros animais, estes cometendo violências contra outras espécies com fins de defender a própria vida, mas o homem em sua ânsia de criação de poder e de morte comete a violência contra todos os que se aproximarem, natureza ou ser-humano, violência sistemática contra o seu semelhante, irmão, amigo, neste caso considerado inferior, escravo ou inimigo
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