A Sshiva percorria leve o espaço entre as pessoas atravessando-as para achar aqueles que serviam como nós de ligação.
Ela chegou por último e ficou sozinha mas teve a paciência necessária para apreciar em seu tempo o panorama que se formava.
Entendeu o desenho e deu a liga para funcionar como enzima no processo da passagem.
Andando pelo meio da multidão barulhenta e iluminada pela luz das tendas e de longe vindo pelo ar e pelo chão o som do dj e das pessoas pulsando. A festa como máquina orgânica produtiva de prazer na percepção. Impossível uma festa sem trocas, a festa é a generosidade da comunicação e do tesão coletivo potencializado pela pulsação do som.
O cara da banca de jornal, presta atenção nele.
. .. ... pois a música geralmente ocorre com emissores e receptores fixos o que caracteriza uma dominação... pra que a música substituísse a palavra em importância comunicativa todos teriam que ser músicos. Talvez assim a música perdesse seu caráter lírico de percepção aberta, pois o signo fechado passaria a imperar. Como manter o caráter criativo da música submetida ao pensamento enunciativo? A música poderia estruturar uma sociedade mais aberta, mais criativa se usada como linguagem de conversa?
O banqueiro arruinado pela ação telepática foi:
1. Preso por causar tumulto, quando a polícia descobriu que fuzuê era aquele.
2. Internado numa clínica pela própria família, quando ela descobriu o que ele tinha feito.
3. Libertado da clínica pelos telepatas, porém sem memória e jogado em outro país.
4. Eleito presidente do primeiro sindicato de catadores de rua, no Chile, quando descobriu sua verdadeira vocação.
Ele não parou nem quando seu terceiro talão de cheques acabou. Se desenroscou da massa de populares que já o cercavam e gritou: "Por favor sigam-me, vamos até o caixa eletrônico. Nós continuamos de lá."
De longe, sentada num banco a Ddoida se divertia pilotando a distribuição de renda.
Y vagava pelas ruas a procura de um happening cultural, pra poder se alimentar. Foi quando sua vontade se desviou instantaneamente para um grande market, daqueles onde você não compra sem carrinhos. Entrou naquele templo com uma série de vozes em sua cabeça e imediatamente colocou seus óculos escuros. Impulsivamente pegou um carrinho de compras e começou a passear pelo grande templo sem pegar nada. Quando deu por si, observou que haviam dezenas de telephs, inclusive alguns que ela já havia encontrado antes, praticando o mesmo movimento. As pessoas curiosas não sabiam como interpretar aquela manifestação: seriam uma quadrilha, artistas, terroristas…Impossível saber. O que sabiam é que incomodavam o sentido da vida moderna daquele dia: casa, trabalho, shopping, casa. Na cabeça de Y uma voz dizia: “nossa cultura reserva espaços apenas para rituais de consumo. Praticar a não-compra nessas catedrais é nosso desafio”….
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